CAMARO AMARELO
SERIA UMA RIMA OU A SOLUÇÃO?
PROPOSITAL OU
ACIDENTAL?
Esse texto é, sem sombra
de dúvida, o que chega com mais estilo e potência, afinal, vamos falar de
Camaro Amarelo! Antes de qualquer coisa, é válido ressaltar que estamos falando
de uma das obras musicais eleitas pelo Programa de Avaliação Seriada da Universidade
de Brasília para ser analisada na prova da primeira etapa do processo. Portanto, você já sabe que se a UnB está
interessada em uma produção como esta, é recomendável que você abandone seus
preconceitos, agora mesmo, e se detenha nas informações e análises possíveis. E
isso você confere aqui no Literatura e Mundo.
E o que diz a matriz do
PAS sobre essas e as outras obras selecionadas, como Cuitelinho, Infortúnio e
Vida Loka pt. II? Justamente que são:
Referências para o reconhecimento das
pessoas do que querem ou não ser, assim, essas escolhas nem sempre se ligam a
critérios musicais, mas ao que a música pode representar para si ou para o
grupo social em que se inserem.
Tudo isso para
proporcionar ao estudante de Ensino Médio o contato com estilos e gêneros
diferentes do que ele está habituado e, consequentemente, ampliar o vocabulário
cultural desse público. Por meio desse contato, juízos de valor como “não ouço RAP porque é música de bandido” podem
ser evitados.
Antes de pensar no
contexto sociocultural e no reconhecimento do indivíduo na sociedade, pense um
pouco sobre a narrativa empregada:
Agora
eu fiquei doce, doce, doce, doce.
Agora
eu fiquei do-do-do-do-doce, doce.
E
agora eu fiquei doce igual caramelo
Tô
tirando onda de Camaro amarelo
E
agora você diz: vem cá que eu te quero
Quando
eu passo no Camaro amarelo.
Observe
o gesto do intérprete no clipe original da música: enquanto diz que “ficou
doce”, ele também faz o gesto de quem passa açúcar no corpo. Aqui, nós temos a
mistura de sentidos do corpo humano, tato e paladar. Figura de linguagem? Isso
mesmo! Sinestesia. Perceba, portanto, que o uso de “amarelo” e “caramelo” não
se reduz a um recurso de rima, mas funciona como uma aproximação de sentidos.
Agora,
sim, vamos à análise mais social. Perceba que uma das metáforas se dá de forma
implícita: “agora fiquei doce”. Doce sempre atrai formigas e sempre em grande
quantidade, logo, “agora vou escolher, tá sobrando mulher”. Complexo e perigoso
esse assunto, e que nos leva à próxima análise.
De certa
forma, já percebemos como o discurso da música envolve virilidade, poder,
“masculinidade”. Isso fica ainda mais evidente quando pensamos que o eu-lírico
não está de Camaro à toa, muito menos à toa é a escolha da CG para a ilustração
desse contraste. Afinal, quando falamos de Camaro, falamos da potência de 406
Horsepowers, ou seja, um carro que dá conta de muita coisa, diferente da CG,
que é uma moto de baixo custo, econômica e de uma potência muito aquém do
Camaro. Logo, podemos dizer que a potência do carro está ligada à potência, ou
à virilidade do homem para quem está “sobrando mulher”. Mais uma vez, complexo
e perigoso.
Agora
observe esse trecho:
“Aí veio a herança do meu véio
E
resolveu os meus problemas, minha situação
E do dia pra noite fiquei rico
Tô na
grife, tô bonito, tô andando igual patrão”
O
discurso aí empregado é simples: se está de CG, não anda de grife, não é
bonito, não é patrão, resumindo: não é rico. É aí que reside o ápice da nossa
análise, pois percebemos que a visibilidade na sociedade moderna se dá por meio
da OSTENTAÇÃO, não do trabalho.
E se
você ficou se perguntando o porquê de a CG não te atrair da mesma forma que o
Camaro AMARELO, lembre-se: amarelo, caramelo são cores que remontam à mais
clássica referência de ostentação, o ouro. Poderia fazer um aparato de todas as
civilizações ocidentais que têm apreço por esse metal e como o amarelo está
associado, mas você só precisa lembrar de alguma aula do seu Ensino Fundamental
na qual aprendeu o que simbolizava o amarelo na nossa bandeira. Pensando com a
biologia, temos que o amarelo está associado à fome, ao apetite. Mais uma vez a
referência ao paladar, afinal, se ele “é doce”, pode saciar essa fome.
Agora
você já percebe o porquê do PAS estar interessado nessa letra, pois já conhece
os fenômenos sociais, culturais e econômicos que estão contidos nela. Ainda que
involuntariamente, todas as obras selecionadas perpassam o contexto de uma
certa comunidade, grupo e cultura, de forma mais abrangente, e é isso que o
Programa de Avaliação da UnB espera de você, enquanto sujeito crítico e livre
de alienações preconceituosas.
Gostou
do tema ou da análise? Se você é estudante do Ensino Médio e está se preparando
para o PAS fique ligado nos episódios especiais voltados para a análise de obras!
Assista ao vídeo, assine o canal e não deixe de contribuir com a sua crítica.
Assim, crescemos juntos!
Agradecimento
à assessoria de imprensa do Munhoz e Mariano......
Se você gostou da postagem e quer
assistir ao vídeo: CLIQUE AQUI
Quer acompanhar as outras obras e análises para o PAS? Assine o canal.
Autoria e formatação: Eurípedes Braga
Revisão e sistematização: Marina Moura
Contato: professoreuripedes@hotmail.com

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Fique a vontade para fazer críticas, dar sugestões e entrar em contato. Abraços. Professor Eurípedes Braga