ROMANTISMO E
ENEM – QUE ISSO TEM A VER?
Já
parou para pensar como o conhecimento sobre o Romantismo pode ajudar você a
escrever uma boa redação no ENEM? Não? Então esse post pode ser bastante útil
para você. Mas antes de adentrarmos no nosso assunto, vamos entender um pouco
mais sobre o que o examinador do ENEM avalia na sua redação, em relação à
competência 2.
Competência
2.b – Evite ficar preso às ideias desenvolvidas nos textos motivadores, porque
foram apresentados apenas para despertar uma reflexão sobre o tema e não para
limitar a sua criatividade.
Competência
2.c – não copie trechos dos textos motivadores. Lembre-se de que eles foram
apresentados apenas para despertar seus conhecimentos sobre o tema.
É, justamente, quando o texto diz
“evite ficar preso”, “criatividade” e “conhecimentos sobre o tema” que entra a
Literatura, pois incluí-la na sua redação é uma forte estratégia de dialogismo
que pode te ajudar a pontuar na competência em questão.
Sem mais delongas, entremos no
assunto de hoje, afinal, vamos falar de Romantismo. Aqui no Brasil, essa escola
se estendeu do ano de 1836 a 1881, com um período tão extenso, não é de se
espantar que o Romantismo tenha rendido muitas fases, divisões e autores das
mais variadas tendências. Por isso mesmo que, aqui no canal, essa escola será
abordada em dois vídeos: a prosa, num primeiro momento e a poesia,
posteriormente.
É muito interessante pensarmos no
Romantismo, pois, ainda que herdado da Europa, foi movimento muito bonito e que
nos proporcionou algumas ideologias muito importantes, como o nacionalismo, a
idealização da pátria, do índio e da natureza.
Alguns autores, inclusive chamam a 1ª geração de geração das IDEALIZAÇÕES
Como escola literária, apresentou uma
infinidade de temas, autores inovadores, como Bernardo Guimarães, Álvares de
Azevedo, Castro Alves, o louvado José de Alencar e a proposta ousada do
pré-realista Joaquim Manuel de Macedo. Autores que apostando na inovação,
acertaram muito, se consideramos como critério a existência do numeroso e
limitado público burguês.
Mas a palavra de hoje é “diversidade”. E
onde se situa Alencar no assunto? Simples, basta você pensar na produção
artística dele, pois Alencar não se deteve em apenas um assunto. Muito pelo
contrário, as temáticas alencarianas são tão diversas (urbana, indianista,
histórica, regionalista) que, vistas sem uma análise minuciosa, nem parecem
pertencer ao mesmo autor. Antes, pareceria incompatível pertencer ao mesmo
escritor.
Além dessa diversidade interna à obra de
Alencar, podemos pensar na atipicidade temática proposta por Joaquim Manuel
Macedo, já mencionado, anteriormente, como o pré-realista. O ilustre de Macedo
se encontra, justamente, no fato de sua proposta temática ir de encontro às
mais veneradas pelo público da época, como as de Diva, Lucíola e Senhora:
romances urbanos que retratavam a vida e as tramas da vida burguesa. Memórias
de um Sargento de Milícias, a obra prima do autor em questão, apresenta um
anti-herói malandro, nada parecido com os cavalheiros românticos de Alencar. E,
detalhe: o ambiente é a favela, não o centro urbano.
Mas você nem imagina aonde queremos
chegar, não é mesmo? Tudo isso foi esclarecido previamente, para que servisse
de diálogo com o tema da redação do ENEM de 2007, que foi “O desafio de se
conviver com a diferença”. Como textos motivadores, a prova trouxe “Ninguém é
igual a ninguém” (Engenheiros do Hawaí) e “Uns iguais aos outros” (Titãs). Na
música dos Engenheiros, o eu-lírico relata que, mesmo diante das mesmas
situações, pessoas diferentes hão de expressar percepções e reações diferentes.
A partir disso, pense: era, ou não,
possível uma tranquila associação com o Romantismo nessa redação? Pense no
leitor romântico que, ao mesmo tempo que apreciava um livro do estilo de “A
Moreninha”, também dava valor a “Lucíola”. Ou seja, uma história simples, com
uma mera temática amorosa entre jovens sonhadores pôde, no período romântico,
conviver com o assunto “prostituição”, muito complexa mesmo para os dias de
hoje, o que comprova que o leitor dessa época sabia e apreciava conviver com as
diferenças.
Mas se você ainda está achando que a
associação não é válida, saiba que o terceiro texto motivador dessa prova foi,
justamente, a “Declaração Universal sobre a Diversidade Cultural” da Unesco.
Pense agora na “Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão”, proclamada no
contexto de Revolução Francesa e Romantismo francês, e perceba que a luta pela
diversidade nas artes ultrapassou os objetivos iniciais e desencadearam na
busca pela liberdade política, religiosa e econômica.
Para voltar ao nosso assunto e
finalizá-lo, vamos deixar a França de lado e pensar no contexto brasileiro do
romantismo: um país dividido entre libertários gritando pela independência e
conservadores que queriam a manutenção da colônia; entre abolicionistas e
escravistas. Realmente, era um ambiente marcado pelo contraste de diferenças.
Se
você gostou da postagem e quer assistir ao vídeo CLIQUE AQUI
Autoria
e formatação: Eurípedes Braga
Revisão
e sistematização: Mariana Moura
Contato:
professoreuripedes@hotmail.com

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Fique a vontade para fazer críticas, dar sugestões e entrar em contato. Abraços. Professor Eurípedes Braga