quinta-feira, 10 de setembro de 2015



ROMANTISMO E ENEM – QUE ISSO TEM A VER?

 

 

            Já parou para pensar como o conhecimento sobre o Romantismo pode ajudar você a escrever uma boa redação no ENEM? Não? Então esse post pode ser bastante útil para você. Mas antes de adentrarmos no nosso assunto, vamos entender um pouco mais sobre o que o examinador do ENEM avalia na sua redação, em relação à competência 2.

Competência 2.b – Evite ficar preso às ideias desenvolvidas nos textos motivadores, porque foram apresentados apenas para despertar uma reflexão sobre o tema e não para limitar a sua criatividade.

Competência 2.c – não copie trechos dos textos motivadores. Lembre-se de que eles foram apresentados apenas para despertar seus conhecimentos sobre o tema.

            É, justamente, quando o texto diz “evite ficar preso”, “criatividade” e “conhecimentos sobre o tema” que entra a Literatura, pois incluí-la na sua redação é uma forte estratégia de dialogismo que pode te ajudar a pontuar na competência em questão.

            Sem mais delongas, entremos no assunto de hoje, afinal, vamos falar de Romantismo. Aqui no Brasil, essa escola se estendeu do ano de 1836 a 1881, com um período tão extenso, não é de se espantar que o Romantismo tenha rendido muitas fases, divisões e autores das mais variadas tendências. Por isso mesmo que, aqui no canal, essa escola será abordada em dois vídeos: a prosa, num primeiro momento e a poesia, posteriormente.

            É muito interessante pensarmos no Romantismo, pois, ainda que herdado da Europa, foi movimento muito bonito e que nos proporcionou algumas ideologias muito importantes, como o nacionalismo, a idealização da pátria, do índio e da natureza.
Alguns autores, inclusive chamam a 1ª geração de geração das IDEALIZAÇÕES

Como escola literária, apresentou uma infinidade de temas, autores inovadores, como Bernardo Guimarães, Álvares de Azevedo, Castro Alves, o louvado José de Alencar e a proposta ousada do pré-realista Joaquim Manuel de Macedo. Autores que apostando na inovação, acertaram muito, se consideramos como critério a existência do numeroso e limitado público burguês.

Mas a palavra de hoje é “diversidade”. E onde se situa Alencar no assunto? Simples, basta você pensar na produção artística dele, pois Alencar não se deteve em apenas um assunto. Muito pelo contrário, as temáticas alencarianas são tão diversas (urbana, indianista, histórica, regionalista) que, vistas sem uma análise minuciosa, nem parecem pertencer ao mesmo autor. Antes, pareceria incompatível pertencer ao mesmo escritor.

Além dessa diversidade interna à obra de Alencar, podemos pensar na atipicidade temática proposta por Joaquim Manuel Macedo, já mencionado, anteriormente, como o pré-realista. O ilustre de Macedo se encontra, justamente, no fato de sua proposta temática ir de encontro às mais veneradas pelo público da época, como as de Diva, Lucíola e Senhora: romances urbanos que retratavam a vida e as tramas da vida burguesa. Memórias de um Sargento de Milícias, a obra prima do autor em questão, apresenta um anti-herói malandro, nada parecido com os cavalheiros românticos de Alencar. E, detalhe: o ambiente é a favela, não o centro urbano.

Mas você nem imagina aonde queremos chegar, não é mesmo? Tudo isso foi esclarecido previamente, para que servisse de diálogo com o tema da redação do ENEM de 2007, que foi “O desafio de se conviver com a diferença”. Como textos motivadores, a prova trouxe “Ninguém é igual a ninguém” (Engenheiros do Hawaí) e “Uns iguais aos outros” (Titãs). Na música dos Engenheiros, o eu-lírico relata que, mesmo diante das mesmas situações, pessoas diferentes hão de expressar percepções e reações diferentes.

A partir disso, pense: era, ou não, possível uma tranquila associação com o Romantismo nessa redação? Pense no leitor romântico que, ao mesmo tempo que apreciava um livro do estilo de “A Moreninha”, também dava valor a “Lucíola”. Ou seja, uma história simples, com uma mera temática amorosa entre jovens sonhadores pôde, no período romântico, conviver com o assunto “prostituição”, muito complexa mesmo para os dias de hoje, o que comprova que o leitor dessa época sabia e apreciava conviver com as diferenças.

Mas se você ainda está achando que a associação não é válida, saiba que o terceiro texto motivador dessa prova foi, justamente, a “Declaração Universal sobre a Diversidade Cultural” da Unesco. Pense agora na “Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão”, proclamada no contexto de Revolução Francesa e Romantismo francês, e perceba que a luta pela diversidade nas artes ultrapassou os objetivos iniciais e desencadearam na busca pela liberdade política, religiosa e econômica.

            Para voltar ao nosso assunto e finalizá-lo, vamos deixar a França de lado e pensar no contexto brasileiro do romantismo: um país dividido entre libertários gritando pela independência e conservadores que queriam a manutenção da colônia; entre abolicionistas e escravistas. Realmente, era um ambiente marcado pelo contraste de diferenças.

 

Se você gostou da postagem e quer assistir ao vídeo CLIQUE AQUI

Autoria e formatação: Eurípedes Braga

Revisão e sistematização: Mariana Moura




 

               

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