Faltam menos de três meses para o ENEM e a busca por meios alternativos para se estudar de forma mais eficaz fica a cada dia mais recorrente. Tendo o “Literatura e Mundo” nascido nesse contexto, não é nenhuma surpresa que tenham “chovido” e-mails na minha caixa de entrada (22 pra mim já foram muitos para uma canal com 2 semanas rs) pedindo por episódios que abordassem temas de literatura voltados para o ENEM. Como coloquei no vídeo de apresentação, esse canal foi feito para vocês. E se são dicas para o ENEM que vocês querem, são dicas para o ENEM que vocês terão.
Mas não vamos falar de literatura de forma desconexa como se ela fosse só mais uma das matérias cobradas no exame, afinal a proposta do canal é, justamente, mostrar como essa disciplina está presente no nosso mundo. Sendo assim, vamos perceber, nesses episódios especiais, como o estudo das escolas literárias pode ser aplicado na sua argumentação na redação. Veja do que tratam as competências 3 e 4 avaliadas no ENEM:
3 – Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações e opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista.
4 – Demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação.
Para que vocês entendam a proposta desses episódios especiais (que serão 12, porque prefiro evitar o 13 em tempos de crise) vamos à prática, começando com a primeira escola literária brasileira, o Quinhentismo.
Primeiramente, a polêmica: o Quinhentismo nem sempre é considerado uma escola literária, até porque os únicos “escritores” desse momento foram os portugueses e os textos se tratavam de cartas e relatos de navegantes que só apresentavam a visão do colonizador. Nesse contexto, chamado por Antônio Candido de Período de Colonização ou Literatura de Colonização (existem várias nomenclaturas), observamos duas correntes de manifestações literárias: a literatura informativa e a literatura formativa. A primeira, tinha o objetivo de informar à metrópole sobre o processo de colonização e Carta de Pero Vaz de Caminha (Carta de Achamento do Brasil) é a grande representante da corrente. A segunda tinha como finalidade a formação de novos cidadãos na fé, afinal, estamos falando de um período turbulento para a Igreja na Europa por causa da Reforma Protestante. (Lutero, Calvino, Savonarola, Henrique VIII).
Mas como isso poderia ser trabalhado na redação do ENEM?
É simples! Em 2010, o tema da redação do ENEM foi “O trabalho na construção da dignidade humana”, sendo que os textos motivadores apontavam para a possibilidade de uma abordagem sobre exploração do trabalho. Se você se lembrar, na literatura de informação do Quinhentismo, mais especificamente, na Carta de Achamento do Brasil de Pero Vaz de Caminha, a ótica do colonizador já apontava para uma mentalidade de interesse em exploração de riquezas brasileiras e mão de obra barata. A partir desse referente histórico/literário, você já poderia correlacionar o artigo 1º - IV da Constituição Federativa do Brasil de 1988 (Inciso que formaliza os Direitos Humanos como fundamentos da República Brasileira), demonstrando embasamento diacrônico e domínio de seleção, organização e seleção de ideias.
Na sequência das escolas literárias, temos o Barroco. Essa estética é comumente caracterizada das seguintes formas: “arte do exagero”, “pérola de formato irregular” e “arte do conflito”. Resumidamente, o Barroco pode ser sintetizado em uma figura de linguagem, já que se trata do conflito entre o BEM vs MAL, ou seja, uma antítese. Nesse período, duas concepções filosóficas se destacaram na Europa e no Brasil. A primeira foi o conceptismo ou quevedismo (Francisco de Quevedo), que consiste em um jogo de ideias e que foi representada no Brasil pelo Pe. Antônio Vieira. A segunda, o cultismo ou gongorismo (Luís de Gôngora), que consiste em um jogo de palavras e tem como grande representante o baiano Gregório de Matos e Guerra.
Mas como é que Gregório de Matos pode parar na minha redação, professor?
Mais uma vez, a associação é simples! No ano de 2001, o tema da redação do ENEM discutia, (entre os vários textos motivadores), a possibilidade da construção da usina de Belo Monte, sendo que o tema era “Desenvolvimento e preservação ambiental: como conciliar os interesses em conflito”. A própria palavra “conflito” já nos reporta para a estética barroca, afinal, na luta entre índios e “brancos” há também uma associação entre o BEM vs MAL. Outros pontos em comum: o caráter religioso que ambos os contextos apresentam, o barroco com a reforma e contrarreforma e a luta indígena contra o processo de aculturação. Na atualidade a luta dos indígenas pela reivindicação de territórios para eles considerados sagrados. Com isso, você expõe no seu texto que o conflito entre o religioso e o “profano” (desenvolvimento moderno, intelectual, existencial e tecnológico) é encontrado tanto no contexto do sec. XVII, como no nosso contexto.
Outra possibilidade é a utilização da obra de Gregório de Matos e Guerra. Como bem diz seu apelido, o Boca do inferno não poupou palavras para denunciar certos problemas sociais e abusos de autoridades governamentais (na verdade ninguém escapava). Com isso, você já sabe que a moda de se criticar o governo foi, na verdade, inaugurada há muito mais tempo que imaginamos. Mas o fato é que Gregório, na sua poesia satírica, já apontava a tendência dos que estão no poder a se aproveitar da situação menos favorável da população. Mas lembre-se: a crítica ao governo em uma redação do ENEM reside em uma zona bastante delicada e precisa ser bem pensada.
LEMBRETE
Ao construir um argumento com o foco na crítica governamental, é necessário uma organização, fundamentação e levantamento de dados, de preferência oficiais, para que o examinador entenda que você não está trabalhando com conjecturas ou especulações. Não que você não possa fazer críticas, me entenda bem, mas em se tratando de uma avaliação institucional governamental, há alguns princípios muito valiosos, EXTRA-TEXTUAIS que devem ser considerados para tal produção:
- Informações de fontes não confiáveis, ou processos “jurídicos” não transitados em julgado. Ou seja, apenas citar, condenar alguém/instituição sem o devido processo legal, transforma seu texto em SUPOSIÇÕES.
- Colocações de fontes da “mídia”, ou notícias sensacionalistas sem apontar seus autores e/ou referências plausíveis e respeitadas em ralação ao tema, desestrutura sua argumentação e transforma seu texto em SUPOSIÇÕES.
RESUMINDO: A capacidade de construir um argumento “desfavorável” sobre um determinado assunto governamental pode, mesmo que indiretamente, desviar o foco da sua produção.
PORTANTO: USE A LITERATURA E CONSTRUA SUA ARGUMENTAÇÃO DIACRONICAMENTE.
EVITE STRESS!!
Esse foi o primeiro texto da série de episódios voltados para o ENEM.....
“Sozinhos vamos mais rápidos
Juntos vamos mais longe”
Pirola
Autoria, produção e formatação: Eurípedes Braga
Revisão e sistematização: Mariana Moura
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