terça-feira, 25 de agosto de 2015

LITERATURA E MUNDO PARA O ENEM
ARCADISMO E ENEM

Aqui estamos com o texto referente ao segundo episódio voltado para o ENEM. É importante ressaltar que as competências a serem desenvolvidas por meio dessas discussões são, sobretudo, as de número 2 e 3. Veja:

2- Compreender a proposta de redação e aplicar conceitos das várias áreas do conhecimento para desenvolver o tema dentro dos limites estruturais do texto dissertativo-argumentativo.
3- Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações e opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista.

                Mas sobre a competência 2 falaremos mais no próximo episódio.
A proposta de hoje é expor algumas características da escola literária denominada Arcadismo, também chamada de Setecentismo (1700) ou Neoclassicismo. Com esse último nome, fica fácil a compreensão do período. Neo corresponde a novo, logo, o Neoclassicismo seria a retomada do clássico, ou seja, a cultura greco-romana.
                Para iniciarmos nossa compreensão do tema, é interessante que pensemos no contexto histórico do momento em questão. Também intitulado como “era das luzes”, o Iluminismo foi uma corrente filosófica que esteve intrinsecamente ligada ao Arcadismo e que é essencial para a compreensão dos motivos Árcades, que mais tarde desencadearia no Romantismo.
                Pensando nisso, temos o primeiro nome importante do momento em questão: Jean Jaques Rousseau. O que nos interessa sobre ele é, especificamente, o mito do bom selvagem, que depois vai servir de base para o Romantismo brasileiro, mas que nesse primeiro momento árcade, representa a personificação da natureza como algo “puro”.
                Para falar do Arcadismo brasileiro, usaremos como referência o crítico literário Antonio Cândido, que avalia essa estética por dois aspectos: o poético e o ideológico. O que Cândido propõe é que os arcadistas brasileiros transmitem as mesmas ideias que os iluministas europeus de racionalidade e simplicidade – até porque, sendo os esses brasileiros membros da elite da colônia, o contato com a Europa, tanto físico, quanto intelectual, era muito facilitado.
                Mas afinal, o que é marcante da estética árcade? É importante que nos atentemos para características como a busca pela simplicidade, o bucolismo e a poesia pastoril, pois são as que nos ajudam a compreender os famosos clichês árcades. Lembrando que clichês são aquelas expressões que, pelo uso recorrente, acabam ficando “batidas” e acabam se tornando máximas de um determinado contexto.  Os clichês árcades transmitem os princípios clássicos, aquilo que era valorizado na cultura greco-romana. São eles: fugere urbem (fuga da cidade), aurea mediocritras (virtude do equilíbrio), locus amoenus (lugar ameno), inutilia truncat (cortar o inútil) e carpe diem (aproveite o dia). Se, para os neoclássicos, o ideal de arte se encontrava na estética clássica, outro fenômeno bastante comum nesse período será o uso de pseudônimo, ou seja, para me libertar do meu contexto, eu uso um “nome falso” com referências pastoris, bucólicas.
                Mas como essas informações poderiam ser inseridas na minha redação do ENEM?
                O ENEM de 1998 apresentou como texto motivador um trecho de uma música do Gonzaguinha (“O que é o que é”), com o tema     “viver e aprender”. Se observamos a letra dessa música, vamos perceber a referência do autor à pureza da criança, que dá uma resposta SIMPLES à vida, que é bonita. É interessante que você ouça ou leia a letra inteira da música para melhor compreensão dessa associação.
                Lembra dos clichês árcades? Lembra que o carpe diem é o valorizar, o sugar da essência da vida aproveitando o dia? Agora associe isso ao modo de viver da criança, que, mesmo em meio a problemas e turbulência, consegue fugir (fugere urbem) desse contexto para ver a vida como algo bonito e simples. Exatamente a mesma visão que Tomás Antônio Gonzaga apresenta em “Marília de Dirceu”, ao incentivá-la a aprender com a simplicidade dos animais a amar e a cuidar do seu filho, ou ainda, ao dizer que não deseja grandes riquezas (inutilia truncat), mas o suficiente para viver e fazê-la feliz.
                Perceba que a citação do autor e da obra, apesar de deixarem a sua redação mais rica, não seria necessária, pois o simples conhecimento dos clichês já seria suficiente para dar embasamento teórico ao seu texto e, consequentemente, garantir uma boa pontuação nas competências 2 e 3.

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Autoria e formatação: Eurípedes Braga
Revisão e sistematização: Mariana Moura


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