LITERATURA E MUNDO PARA O ENEM
ARCADISMO E ENEM
Aqui estamos
com o texto referente ao segundo episódio voltado para o ENEM. É importante
ressaltar que as competências a serem desenvolvidas por meio dessas discussões
são, sobretudo, as de número 2 e 3. Veja:
2-
Compreender
a proposta de redação e aplicar conceitos das várias áreas do conhecimento para
desenvolver o tema dentro dos limites estruturais do texto
dissertativo-argumentativo.
3- Selecionar, relacionar,
organizar e interpretar informações e opiniões e argumentos em defesa de um
ponto de vista.
Mas
sobre a competência 2 falaremos mais no próximo episódio.
A proposta de hoje é expor
algumas características da escola literária denominada Arcadismo, também
chamada de Setecentismo (1700) ou Neoclassicismo. Com esse último nome, fica
fácil a compreensão do período. Neo
corresponde a novo, logo, o Neoclassicismo seria a retomada do clássico, ou
seja, a cultura greco-romana.
Para
iniciarmos nossa compreensão do tema, é interessante que pensemos no contexto histórico
do momento em questão. Também intitulado como “era das luzes”, o Iluminismo foi
uma corrente filosófica que esteve intrinsecamente ligada ao Arcadismo e que é
essencial para a compreensão dos motivos Árcades, que mais tarde desencadearia
no Romantismo.
Pensando
nisso, temos o primeiro nome importante do momento em questão: Jean Jaques
Rousseau. O que nos interessa sobre ele é, especificamente, o mito do bom
selvagem, que depois vai servir de base para o Romantismo brasileiro, mas que
nesse primeiro momento árcade, representa a personificação da natureza como
algo “puro”.
Para
falar do Arcadismo brasileiro, usaremos como referência o crítico literário
Antonio Cândido, que avalia essa estética por dois aspectos: o poético e o
ideológico. O que Cândido propõe é que os arcadistas brasileiros transmitem as
mesmas ideias que os iluministas europeus de racionalidade e simplicidade – até
porque, sendo os esses brasileiros membros da elite da colônia, o contato com a
Europa, tanto físico, quanto intelectual, era muito facilitado.
Mas
afinal, o que é marcante da estética árcade? É importante que nos atentemos
para características como a busca pela simplicidade, o bucolismo e a poesia
pastoril, pois são as que nos ajudam a compreender os famosos clichês árcades.
Lembrando que clichês são aquelas expressões que, pelo uso recorrente, acabam
ficando “batidas” e acabam se tornando máximas de um determinado contexto. Os clichês árcades transmitem os princípios
clássicos, aquilo que era valorizado na cultura greco-romana. São eles: fugere
urbem (fuga da cidade), aurea mediocritras (virtude do equilíbrio), locus
amoenus (lugar ameno), inutilia truncat (cortar o inútil) e carpe diem
(aproveite o dia). Se, para os neoclássicos, o ideal de arte se encontrava na
estética clássica, outro fenômeno bastante comum nesse período será o uso de
pseudônimo, ou seja, para me libertar do meu contexto, eu uso um “nome falso”
com referências pastoris, bucólicas.
Mas
como essas informações poderiam ser inseridas na minha redação do ENEM?
O
ENEM de 1998 apresentou como texto motivador um trecho de uma música do
Gonzaguinha (“O que é o que é”), com o tema “viver
e aprender”. Se observamos a letra dessa música, vamos perceber a referência do
autor à pureza da criança, que dá uma resposta SIMPLES à vida, que é bonita. É
interessante que você ouça ou leia a letra inteira da música para melhor
compreensão dessa associação.
Lembra
dos clichês árcades? Lembra que o carpe diem é o valorizar, o sugar da essência
da vida aproveitando o dia? Agora associe isso ao modo de viver da criança,
que, mesmo em meio a problemas e turbulência, consegue fugir (fugere urbem)
desse contexto para ver a vida como algo bonito e simples. Exatamente a mesma
visão que Tomás Antônio Gonzaga apresenta em “Marília de Dirceu”, ao
incentivá-la a aprender com a simplicidade dos animais a amar e a cuidar do seu
filho, ou ainda, ao dizer que não deseja grandes riquezas (inutilia truncat),
mas o suficiente para viver e fazê-la feliz.
Perceba
que a citação do autor e da obra, apesar de deixarem a sua redação mais rica,
não seria necessária, pois o simples conhecimento dos clichês já seria
suficiente para dar embasamento teórico ao seu texto e, consequentemente,
garantir uma boa pontuação nas competências 2 e 3.
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Autoria e formatação: Eurípedes
Braga
Revisão e sistematização: Mariana
Moura
Contato: professoreuripedes@hotmail.com
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