quarta-feira, 19 de agosto de 2015

SÉRIE: THE FOLLOWING... TUDO QUE VOCÊ QUERIA SABER E NUNCA PERCEBEU.. EM UM SÓ LUGAR. FOLLOWING ME.


                        Quando falamos que algo ou alguém é romântico, logo vem à nossa mente ideias relacionadas ao amor. O homem que dá flores, a mulher que sonha em se casar, corações, emoções e a lista não acaba. O que você talvez não espere do romântico seja o macabro, a morte ou mesmo um seriado que trate de um serial killer. Sim, estamos falando de Romantismo.
            Mas antes de irmos ao assunto diretamente, é interessante que passemos por algumas noções históricas e simbólicas que perpassam o inconsciente coletivo relacionado ao medo e ao terror e que nos ajudarão a empreender melhor o objetivo final dessa análise.
           Dessa forma, a primeira noção histórica cronológica que precisamos ter em mente é: o que veio antes do romantismo? No Brasil, sabemos que foi o arcadismo, mas na Europa, esse movimento não se manifestou com tanta força, tendo sido apenas uma filosofia de vida. Logo, o movimento literário anterior ao Romantismo na Europa foi o Barroco. Mas o que o Barroco, tão marcado pelos conflitos existenciais do homem hiperbólico dos seiscentos, teria de ligação com o Romantismo? Nada mais nada menos que a sua própria gênese: o Barroco surge como uma iniciativa da Igreja, a Contrarreforma, certo? Pronto. A religiosidade cristã é a marca da escola seguinte, o Romantismo, que, além de cristão, é um movimento essencialmente burguês e que foi feito para “aparecer”.
            Logo, percebemos que uma das heranças adquiridas do Barroco pelo Romantismo é a religiosidade adaptada ao gosto burguês. Outra característica que se nota nessa transição é o aperfeiçoamento do “feísmo” barroco, marcado pelo exagero, que no romântico vai ser chamado de “gosto pelo mórbido”, que, em última instância, desenvolve o “culto à morte” (morrer de amor). Perceber isso é muito simples quando pensamos nas obras “Frankenstein” de Mary Shelley ou no “Corcunda de Notre Dame” de Victor Hugo. Pense nesses dois personagens e agora os associe ao feísmo do barroco. Fica claro, não é mesmo?
            Apesar de essas obras nos ajudarem na compreensão estética das influências barrocas no Romantismo, não há obra que ilustre essa escola literária de forma mais perfeita do que “Os sofrimentos do jovem Werther” de Goethe. Poderíamos trazer à tona muitas (senão todas) características românticas presentes nessa obra para a nossa discussão, mas o que nos importa no momento é a oposição entre o locus horrendus e o locus amoenus. Nessa obra, inaugura-se o recurso de exploração do ambiente como reflexo do estado interior da personagem. Ou seja, o lugar ameno representa a paz de espírito da personagem, ao passo que o lugar horrendo representaria uma perturbação interior. A partir dessa concepção, você consegue associar uma porção de símbolos e compreender a construção do inconsciente coletivo relacionado ao terror.
            Esses símbolos são diversos. Pensemos no gato preto, por exemplo. É da cultura popular associar a imagem do gato preto à ideia de azar. No entanto, nem sempre e nem em todo lugar as pessoas pensam no bichinho como algo pejorativo. Exatamente a cultura egípcia manifestava apreço e adoração pelo felino, porque perceberam que os gatos eram ótimos aliados no combate a ratos, que prejudicavam as plantações. A partir daí, o animal passou a corresponder a divindades entre os egípcios, que sempre os representava na cor preta. Mas o que isso tem a ver com o romantismo  cristão? Simples, mais uma jogada da Igreja que, ao combater o paganismo, associa as suas imagens a conceitos negativos. Inteligente e eficaz.
            Da mesma forma que extraímos uma explicação do gato, podemos fazer com o vinho, com a lareira, o corvo, a pomba, com o abutre e o deserto. Se quiser saber mais sobre esses, assista ao vídeo.


                                                              ASSISTA AO EPISÓDIO

            Finalmente, chegamos ao nosso objetivo final: falar sobre o seriado “The Following”. A crítica, de forma geral, tem comentado sobre essa série deixando sempre uma sensação de não compreender o porquê de ela ser tão envolvente. Se você já a acompanha, conseguiu perceber o quanto o inconsciente coletivo é explorado por meio desses símbolos mencionados. Se não a acompanha, assista a alguns capítulos já observando essa tática. Tudo fará sentido!
            Antes de continuar, um aviso importante: NÃO CONTÉM SPOILLERS
            Resumidamente, a série trata de um serial killer que é um professor de literatura. Mas não qualquer professor de literatura e sim um estudioso especialista em Edgar Allan Poe, autor americano gótico considerado o “pai do terror”. Dessa forma, o autor da série estudou minunciosamente alguns dos principais contos de Poe (A queda da casa de Usher, A carta roubada, O coração delator, William Wilson, O gato preto) e os transpôs para o plano da história que envolve Joe Carrol (o professor psicopata) e toda a sua legião de “fãs”, que é o alvo de combate de todo o FBI, especialmente do consultor e ex-agente, Ryan Hardy.

            Tendo assistido ao vídeo, percebido as associações e compreendido (ou não) as análises, faço o convite a você que não conhece a série para que a assista disposto a notar esses símbolos e referências. Tudo isso para que, mais uma vez, você possa perceber como a literatura dá mais sentido ao seu mundo.

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